Uma visão de mundo que integra consumo consciente, sabedoria ancestral e a Terra como organismo vivo — a base filosófica de tudo o que fazemos.
Entre 95% e 98% da substância orgânica da planta é composta por ligações carbônicas, provenientes da fotossíntese do dióxido de carbono presente no ar. Quando a planta cresce em um vaso, a quantidade de terra no vaso não diminui.
Quando a madeira é queimada, cerca de 95% a 97% do seu volume se transforma novamente em fumaça, calor e luz, restando apenas de 3% a 5% de cinzas — sais minerais provenientes da terra.
As raízes penetram a terra, as folhas se abrem para o calor, a luz do sol e o ar, realizando a fotossíntese, e o pólen se aproveita do vento para ser distribuído. As seivas acompanham, como as marés, as fases da Lua, e as constelações cósmicas são consideradas no calendário biodinâmico de cultivo.
A saúde e a vitalidade da planta dependem diretamente do ambiente, da biodiversidade, dos cuidados e das intenções do produtor.
A membrana exterior dos seres vivos é semipermeável; trata-se de um órgão de percepção do ambiente que possibilita uma interação contínua com ele. O ser humano transforma seu ambiente e, por meio da arquitetura, cria ambientes artificiais projetados por ele.
Quando vive exclusivamente em ambientes artificiais, sua percepção e vivência passam a consistir inteiramente na absorção desses espaços e das intenções neles incorporadas.
Tanto a Medicina Tradicional Chinesa quanto a Medicina Antroposófica descrevem que a energia do alimento, constituída por sua origem, é liberada pela digestão e direcionada para a nutrição do cérebro.
Quando o alimento é cultivado em um ambiente vivo, respeitando os ciclos naturais e cósmicos, o cérebro desenvolve pensamentos mais vivos e claros, estabelecendo uma relação mais saudável com o ambiente.
— Filosofia da Terra Carbono Ecológica
Quando nos alimentamos de alimentos com alta vitalidade — resultado da qualidade do solo e das práticas de cultivo, manuseio e preparo — passamos a compreender o significado e o potencial da Terra Preta dos Povos Indígenas. A inserção dos povos indígenas em seus ambientes, aliada ao desenvolvimento biológico do planeta, levou à criação das Terras Pretas que mantêm, há mais de 2.000 anos, uma quantidade de carbono sequestrado equivalente ao volume emitido pela atividade humana nos últimos 20 anos.
Uma visão de mundo que integra consumo consciente, sabedoria ancestral e a Terra como organismo vivo — a base filosófica de tudo o que fazemos.
O ser humano transforma a si mesmo quando trabalha o húmus. O húmus saudável gera a saúde e a consciência do homem, e o homem consciente gera húmus.
As Terras Pretas de Índio, ao longo dos rios da Amazônia, devem conter o equivalente de carbono sequestrado ao longo de 2.000 anos — um volume comparável ao que o mundo emite atualmente em cerca de 20 anos. Para entender sua origem, é necessário perceber a Terra e todos os seus reinos como um organismo vivo.
A terra pousa no reino mineral, como fundação de toda vida.
A terra vive e cresce no reino vegetal, transformando carbono em vida.
A terra percebe, sente e se movimenta no reino animal.
A terra pensa no reino humano. Somos seus pensamentos conscientes.
A evolução da natureza, ao longo de milhões de anos, sempre foi um processo de descarbonização: liberação de oxigênio, formação de uma atmosfera viva e criação de solos férteis que permitiram a vida prosperar. Os povos indígenas deram continuidade a esse processo natural, produzindo solos férteis a partir de sua integração com a natureza e com os ciclos da vida.
Os povos pré-colombianos produziram extensas áreas de Terra Preta que, somadas, correspondem à extensão do estado de Minas Gerais. Na Terra Preta pré-colombiana há uma quantidade de CO₂ sequestrado equivalente às emissões globais dos últimos 20 anos.